O tempo do rio


A água que desce a serra, não desce lentamente

O rio parece devagar, mas ele está mais veloz que imagina.

Num ritmo rápido e constante...

Nem sequer notamos os imensos litros de água que se foram, as toneladas de areia carregadas, o quanto o rio cortou a rocha, as muitas vidas ele levou.

Em seu caminho ele vai mudando, ora a velocidade aumenta, ora diminui, ora segue reto, ora faz curvas, mas continua andando, correndo, por altos e baixos, sempre focado.

O foco é tudo!

Uma hora chega na praia.

Aí é que o rio sossega, deixa de lado toda aquela pressa.

Nesse momento ele vê o mar e se apaixona: Como é lindo oceano, como é grande, que visão.

E o pequeno rio, que uma vez foi forte e robusto se entrega à imensidão.

Agora o rio não existe mais e nem nos demos conta!

Quando percebermos sempre é tarde demais!

Freire, Lorrayne. Contos Sentidos. 2022, São Paulo

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Referências

Freire, Lorrayne. Uso de perfis longitudinais e índices geomorfométricos para identificação de possíveis sítios de captura fluvial na bacia do rio Juquiá, no Vale do Ribeira (SP). 2017, São Paulo.

Foto do Rio Juquiá, de minha cidade natal. Foi tirada pelo meu pai... Tenho muita saudade dele.

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